A busca
Estamos em busca de amor, nossa vida, apesar de plural, e
com extremos totalmente perceptíveis a qualquer pessoa, encontramos um fator em
comum nesta equação, por mais que seus resultados podem destoar em momentos e
pessoas, que é justamente a busca por este amor. Talvez se pegássemos a história,
ao longo dos anos, décadas, conseguíssemos observar os mesmos precedentes,
entretanto, para buscar uma realidade palpável, nos deparamos com os dias
atuais, sempre me aguçou a questão por de trás das motivações das pessoas, pois
eu sempre fui alguém com bastante dificuldade em me motivar por questões, por
hora comum dentro de nosso contexto, logo, iniciei minha observação e conversa com
mentores espirituais, buscando auxilio para compreender, ou pelo menos,
acalentar meus pensamentos referente a estas questões que perambulavam em torno
de meus pensamentos. Comecei então a observar a mim, fiz um levantamento sobre
quais eram as questões que me assolavam, o que estava aguçando minha ansiedade,
qual era o motivo ou motivações por de trás de meus desejos, e apesar de serem
complexos e totalmente destoantes, todos vem a calhar na mesma bica, o amor.
Estou planejando, me alterando, ansiando por momentos, conquistas, que me aproximam
da probabilidade de viver algo, de conhecer alguém, pois para mim, ainda é
assim que conheço o amor, na troca. Entretanto, com tantos perfis e com séculos
de corrupção de nossa essência, as pessoas hoje conseguem dar um sentido plural
ao amor, mas ainda assim, não deixando de ser essencialmente o amor. São atalhos, perspectiva, reconfiguração,
novas termologias, espaços, corpos, matérias, em comum, o amor, mas também a não
realização. Tantos nós, amantes antiquados, quantos aos novos, revolucionários,
reacionários, todos nós temos em comum a não realização, ou talvez, em alguns
casos, a falsa realização. Por que falsa? Pois a busca não termina. Estamos
justificando, buscando respostas em livros, apelando em levantar messias e
profetas para reafirmarem e darem razão a nossa falência, a nossa fraqueza,
estes dias vi um casado num debate explicando que desenvolveu uma teoria de
que, um olhar não quer dizer que esta desejando, mas sim olhando algo que achou
bonito (mulher), que é algo comum, logo, foi repreendido por alguém no ambiente que disse:
mas se tu olhar mais de uma vez, você esta desejando, e assim, seguiu a discussão
a ponto algum, fato é, estamos tentando esconder nossas falhas, buscando
validar nossas atitudes desesperadas, sem respaldo, contrarias ao que
proferimos com nossas bocas, evidenciando apenas que, ainda estamos buscando,
mesmo, que para alguns, ou até mesmo, para nós mesmos, nós já possuímos. Tive um
relacionamento, o ultimo, que foi bastante intenso, muito mesmo, nós realmente nos
amamos, parecia que tínhamos encontrado aquilo que faltava, que estávamos ansiando
por anos, entretanto, chegou-se num ponto onde a busca por mais, a insatisfação
pelo o que tinha, findou tudo aquilo de uma forma, que se for para explicar eu
não saberia como. Levantando uma nova questão, além de estarmos buscando, não
sabemos quando parar. Nós, tínhamos encontrado, todos aqueles anos, que havia
um sentimento de busca por justamente aquilo que encontramos, mas quando
encontramos, esquecemos de parar, explicávamos um ao outro, sobre o olhar, até
que, o olhar que se justificava, virou uma necessidade que já não tinha mais
responsabilidade em se explicar, saia da frente, estou buscando, você meu amor,
não pode me impedir de buscar amor, quando o sal nascia, e os encantos da noite
se encerravam, nós encontramos por diversas vezes para explicar que, foi
burrice, foi um erro, jamais deveria ter acontecido, mas era só uma daquelas
luzes ascender novamente, que a euforia pela busca, entrava sem dar seta. Hoje,
eu reflito sobre isto tudo, não para me explicar, ou explicar a alguém, mas sim
entender que vivemos isto. Posso pegar meu aplicativo de relacionamento, estão
ali pessoas que quando vi, eu desejei, agora estamos ali, empacados num bom
dia, e seguimos para os próximos.
Esta busca, esta presente falta, nos leva em pontos
realmente críticos, eu tinha observado meu vicio crescente em consumir
pornografia, comecei, assim como nas olhadas, justificar, criar uma retorica
onde justificava aquilo normal, aliás, sou homem, jovem, viril, mas a partir de
momento que deixei minha vulnerabilidade transcender, entendi que, é mais um veículo
que prazer rápido, que esta vida nos injeta, aliás, estão todos assim não
estão? Você entra na rede social, os relacionamentos estão perfeitos, as pessoas
vivendo momentos atras de momentos felizes, quase não conseguem se sentar ao
pular de um para o outro, ai ai... O mundo progrediu, avançou a passos largos
em sua ruina, hoje, muitos já conseguem perceber, a maldade, ou melhor, a busca
incontrolável pelo amor que nos faz passar por cima de qualquer um para
conquistar, vejo pessoas perdidas em se explicar quem são, e quando explicam,
não conseguem ter plenitude em quem são, assim, culpa o próximo por este
impedimento, “A culpa a sua, da sua ideologia, de suas escolhas, por eu ser tão
miserável”, não faz sentido. Mas é isto, vamos buscar, e não achar, mas sempre,
terceirizar e justificar as falhas, até o dia em que morreremos. Este assunto,
ele me abre muitas janelas, da qual, podemos enxergar um pouco de “Deus”, um
pouco de “Dinheiro”, um pouco de “Beleza” e varias outros, estamos num mundo
doente, as pessoas estão doentes, nós estamos doentes e o remédio pode ou não
ser tão simples.
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