O Evangelho

O evangelho, que em sua tradução significa, conjunto de ensinamentos de Jesus Cristo, é algo tem me confrontado todos os dias, neste período, próximo aos meus 28 anos, passo por um momento onde muitas questões tem mexido com meu emocional, com minha visão de mundo e sociedade, não sei se estive ausente deste mundo por muito tempo, ou se realmente ele mudou drasticamente nos últimos anos, em relance ao mundo que eu costumava a enxergar em anos atrás, nem parece ser o mesmo.

O termo evangélico, tem crescido, tem ganhado popularidade, mas quando eu vou as ruas, elas são mais cinzas e sem esperança, vejo um cenário sem cores, pessoas se apegando aos seus vícios, luxos, desejos, e disfarçando o que realmente estão sentindo, o mundo virou uma vitrine, mas que não vislumbra aqueles que conseguem ver além do teatro, e o pesar de toda esta questão, está na dificuldade de interpretação e identificação, muitos, ou até mesmo todos, estão certos de suas opiniões, estão certos de que seu recorte psíquico de determinada situação, se alastra e cobre toda uma sociedade, mas me vem a mente, Jesus em um de seus últimos momentos, quando disse: “Perdoa-os, pai, eles não sabem o que faz”.

Sabemos que a Bíblia é cheia de mistérios, pontos de vista e revelações, logo, busco todos os dias em minhas reflexões quanto ser humano, parte desta sociedade, entender e questionar, fato é, desde que temos recorte histórico, sabemos que a interpretação da bíblia esta voltada para controle, poder e promessas. Algo que sempre me chamou a atenção é como gira o contexto, a sociedade, quando a mesma está mais próxima em buscar embasamento bíblico para moldar a sua história atual, e geralmente, neste momento, sempre presenciamos o maior distanciamento, de nós, como humanos, de cristo. Hoje, neste recorte histórico que participo, vejo povos sendo exterminadas, fome sendo alastrada, maior índice de pessoas com depressão, suicídios, guerras e mortes sendo tratados com normalidade, punição ao bem, dentre varias outras questões, sabemos que, desde que mundo é mundo, todas estas coisas estevem presentes, mas não era de conhecimento de todos, hoje, evoluímos ao ponto de ter tecnologia que nos permite saber das coisas, e o saber tem o preço, como dito no novo testamento de Tiago “Quem sabe o que deve fazer o bem, e não o faz, comete pecado. Logo, vai uma reflexão, porque num momento onde há tantos cristãos, mesmo tendo conhecimento do bem, e assistindo o mau, não o faz?!

Me questionei muito sobre isto, e afirmo, cheguei a ficar depressivo, questionando Deus, como pode, estarmos nesta situação, fechei meus olhos por meses, vedado pela lente de um mundo contaminado, pela hipocrisia e falso moralismo, mas este texto, não tem intuito de apontar culpado, sesse sua mente deste ato, o texto propõe uma reflexão, e expor um ponto de vista de uma experiência.

Em certo momento, após mais um dia questionando tudo isto, me lembrei a história de minha avó, de minha mãe, e vi, que não sou o único, nem o primeiro, e provavelmente não serei o ultimo de uma geração a viver desta mesma experiência, a vida, ela traz desafios diários a nós, a todos nós, e resistir a isto, é uma tarefa que temos, se minha avó tivesse desistido em meio de todos os sofrimentos, minha mãe não estaria aqui, e provavelmente nem eu. Logo, somos resultados de uma resistência de vida, que através de nós, poderemos gerar novas vidas, não restritamente na carne, mas sim, e principalmente, no espirito.

E logo após essa reflexão, quem me veio a mente? Jesus! Novamente ele, lembrei do que li sobre sua passagem na terra, e veja, o mesmo presenciou a fome, as enfermidades que assolavam as pessoas, a incredulidade, o julgar de uma sociedade hipócrita de falso moralismo sobre seus semelhantes, viu os templos que foram levantados em seu nome, virando comercio, a marginalização daqueles que não se identificavam ou possui semelhanças, status social, daqueles que coordenavam aquelas terras, e principalmente, o amontoar da multidão em busca de recompensas.

Ironia ou não, é bastante similar aos que vemos hoje, ontem, e durante toda a história, nem Jesus conseguiu se safar de nossa maldade, e ainda sim o clamamos pedindo misericórdia e recompensas, irônico, não?

A interpretação que se tem feito da bíblia, desde os tempos mais remotos é sobre a nossa maldade e o nosso interesse, no velho testamento tem várias passagens identificando pontos nos quais, como Deus nos leva a grandes recompensas, e ao longo daquelas páginas, há dezenas de caminhos que fizeram estes homens prosperar, logo, quando a maldade se alastrou sobre a terra, Deus mandou seu próprio filho para nos ensinar, e refazer a história, naquele momento, Jesus poderia ter ido atrás do legado daqueles grandes conquistadores de seu nome, aqueles que haviam levantado e arrastado multidões, seria bem mais simples a passagem de Jesus por aqui, se assim fosse, não é verdade? Mas fica evidenciado, a quem ele foi buscar, pescadores, no mais, que não haviam pescado nada naquele dia, e após o comando de cristo, eles se fartaram, e o que Jesus disse: Deixe e me segue, te farei maior que isto. O que poderia, na visão do mundo ser maior do que alguém com grande conquista, império, comercio, onde eles não poderiam chegar com tanta fartura para comercializar? Logo, Jesus mostrando que, a busca de poder, e grandes recompensas, o homem sai do caminho e isto aconteceu até mesmo com grandes profetas que vieram antes dele, em seu nome, Jesus então, refaz a história, ele veio até nós, não em vozes, mas em pessoa, para nos dizer e mostrar o caminho.

E reparem na história destes apóstolos, algum deles teve gloria a ser perseguida, ou querer ser replicada por algum de nós? Não, todos perseguidos, vivendo peregrinando, sendo presos, passando por aflições, e no fim, tendo suas vidas sendo retirada de forma brutalizada, evidenciando que sempre este é o destino, de quem busca praticar fazer o bem. Cristo nunca foi o retrato de alguém que faz sentido para nós imitar, pois confronta nossa índole, confronta nosso egoísmo, nossa maldade, nossa falta de amor. Ouço muito pessoas dizerem em suas igrejas após deitas sob as aguas, que morremos para o mundo, não, nós não morremos para o mundo, continuamos emergidos através de um sistema na qual não representa cristo, como na época de Jesus, é apenas um comercio e este é um de seus produtos, assim como vários outros que ali são comercializados, e que fazemos, através de influência e manipulação destas pessoas, e minha reflexão sobre isto, é sob a questão de tirar a trave de nossos olhos, a venda que nos cega, se esqueceram que o “véu foi rasgado?”, tanto sacrifício, comercio, mas vejam por vocês, será que cristo tem mesmo um encontro contigo após aqui, para perseguir as pessoas como o faz? Juntar a ti para espalhar a maldade, a falta de empatia e amor? Dentre varias questões ocultas, ou talvez, não tão ocultas, sobre o seu próprio caráter?! Eu imagino que não. Morrer para o mundo, é difícil, ainda mais quando estamos submergidos ao poder que ao longo da história demos de total graça em mãos de pessoas que apenas querem monetizar em cima de nossa fé! Eu sou culpado, você é culpado, somos culpados ao assistir isto e reproduzir, Jesus, não é sinônimo de poder mundano, conquistas matérias, dentre outras questões, isto é tudo sobre representação humana, sobre o que seria sua experiência com Deus, mas Jesus, veio e nos mostrou totalmente o contrário, não há nenhuma gloria no mundo ao andar junto a ele, até mesmo o local de seu nascimento, virou palco de maldade e extermínio, nós fazemos tudo em nome dele, menos, ser imagem e semelhança, como ele nos disse.

A bíblia é um retrato aberto, que numa sociedade onde acusamos o outro tendo feito o mesmo, usamos de seu nome para grande comercio, alastramos a miséria e a fome, marginalizamos e excluímos quanto as diferenças, doenças, no final, cristo é sempre crucificado.

Mas a mensagem de esperança que fica é, mesmo após toda a maldade humana, que traga seu sonho, te julga, marginaliza frente a diversas frentes, te priva de oportunidade, te oprime num sistema criado em benefício de seus próprios interesses, ele voltou para aqueles que acreditou nele, que esteve com ele até o fim, a morte da cruz não foi o fim de cristo, mas a materialização do fim da representação “física”, de deus, em nosso meio, como se a partir daquele ponto, não houvesse nada mais a pegar, se não, em suma fé, e a partir disto, constata-se que aqueles que o reconhecem, e permanece em fé de quem é realmente cristo, ele retorna e se encontra com estas pessoas, responsáveis por nos dar a obra tão mal interpretada, mas tão rica e reveladora do que é cristo, do que Jesus representa.

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